NPLs em alta: o mercado de carteiras inadimplentes movimenta R$ 34 bilhões

NPLs em alta: o mercado de carteiras inadimplentes movimenta R$ 34 bilhões

Toda instituição que concede crédito convive com a inadimplência. O que mudou foi o destino dado a ela. Em vez de manter indefinidamente carteiras de NPL (Non-Performing Loans) no balanço, credores passaram a cedê-las a investidores especializados em recuperação — liberando capital, limpando o balanço e transferindo o risco a quem sabe precificá-lo.

Um mercado que ganhou escala

Os números de 2025 confirmam a maturação. Foram cerca de R$ 34 bilhões em carteiras cedidas ao longo do ano, alta de 21,4% sobre os R$ 28 bilhões de 2024. Participaram 43 empresas cedentes — entre bancos de grande e médio porte, varejistas, bancos digitais, fintechs e cooperativas —, com a entrada de 11 novos vendedores. O segmento digital e de fintechs, em especial, ampliou em 26% o volume financeiro cedido.

Parte desse impulso vem do legado do Desenrola Brasil: dívidas renegociadas mas não quitadas alimentaram a oferta de carteiras no mercado secundário.

Como a recuperação cria valor

O comprador adquire a carteira com deságio — paga uma fração do valor de face, proporcional à probabilidade e ao tempo de recuperação. A partir daí, a régua de cobrança, a renegociação e, quando necessário, a via judicial convertem crédito inadimplido em fluxo real. O retorno nasce justamente da diferença entre o preço pago e o quanto se recupera.

O que esperar adiante

A projeção para 2026 é de continuidade com viés de crescimento e diversificação, com participação crescente de bancos médios e instituições não bancárias e a entrada estimada de pelo menos 15 novos cedentes. Para a MM Distressed, isso significa um pipeline mais profundo e mais sofisticado — e a necessidade de disciplina ainda maior na precificação.