Recuperação judicial bate recorde: o que os números de 2025 revelam
O ano de 2025 marcou um recorde que diz muito sobre a economia brasileira: 2.466 empresas entraram em recuperação judicial, alta de 13% sobre as 2.184 de 2024. Não é apenas um número grande — é um sinal de como o crédito mais caro e seletivo pressiona companhias de todos os portes.
Onde a pressão se concentra
O agronegócio liderou, com 743 empresas — 30,1% do total —, seguido de perto pelo setor de serviços, com 739 companhias (30%). A leitura é direta: setores intensivos em capital de giro e sensíveis ao custo financeiro foram os primeiros a buscar proteção para reorganizar passivos.
A recuperação judicial funcionou, em 2025, como instrumento de ajuste de balanço — uma forma estruturada de renegociar dívidas diante de um custo de capital ainda elevado, em vez de uma sentença de fim.
Vinte anos de uma lei que amadureceu
A Lei nº 11.101/2005 completou duas décadas, e sua grande atualização — a Lei nº 14.112/2020 — modernizou o instituto. Entre os avanços, a possibilidade de negociar com credores antes mesmo do pedido formal, com proteção antecipada do Judiciário (o chamado stay period), deu à reestruturação ferramentas mais ágeis e previsíveis.
A leitura da MM Distressed
Reestruturar não é administrar o fracasso; é devolver previsibilidade ao que se tornou incerto. Renegociação de passivos, realinhamento de governança e recuperação de liquidez compõem o tripé de qualquer turnaround — sempre sob medida, porque nenhum estresse é igual ao outro. O recorde de 2025 não é só estatística de crise: é a medida de um mercado que aprendeu a usar a recuperação como estratégia.